Estabelecendo a Unidade do Genero Humano


Estabelecendo a
Unidade do Gênero Humano

Diógenes Marcondes

Em 12 abril
de 1912, o sábio Persa Abdu´l-Bahá estava em Nova Iorque e proferiu
palavras de tão profundo significado, que trouxe luz para sua audiência, e até
os dias de hoje nos fazem refletir sobre a Unidade da Religião de Deus. E nos
conclamam a estabelecermos firmemente os alicerces de uma civilização
espiritualmente mais preparada para viver em paz e harmonia. Compartilho alguns
trechos dessa palestra pois são palavras que calam no mais profundo de nossa
alma:

“Os profetas
de Deus vieram para estabelecer a unidade do Reino nos corações dos homens.
Todos eles proclamaram as boas-novas das dádivas divinas ao mundo humano. Todos
trouxeram a mesma mensagem do amor divino ao mundo. Jesus Cristo deu Sua vida
na cruz pela unidade do gênero humano. Do mesmo modo, os que acreditaram nEle
sacrificaram sua vida, honra, posses, família, tudo, a fim de que este mundo
humano pudesse ser libertado do inferno da discórdia, inimizade e contenda. Seu
princípio era a unidade da humanidade. Apenas poucos foram atraídos a Ele. Não
foram os reis e governantes de Sua época. Não foram pessoas ricas e
importantes. Alguns deles eram pescadores. A maioria deles era ignorante, sem
instrução nos conhecimentos deste mundo. Um dos mais destacados entre eles,
Pedro, não conseguia se lembrar dos dias da semana. Todos eles eram homens sem
importância aos olhos do mundo. Mas seus corações eram puros e atraídos pelo
fogo do Espírito Divino manifestado em Cristo. Com este pequeno exército, Cristo
conquistou o mundo oriental e ocidental. Reis e nações se levantaram contra
Ele. Filósofos e os homens mais eruditos atacaram e blasfemaram contra Sua
Causa. Todos foram derrotados e superados, suas línguas se calaram, sua luz foi
extinta, seu ódio, suprimido; nenhum traço deles permaneceu. Eles se tornaram
como inexistentes, enquanto Seu Reino é triunfante e eterno.

A brilhante estrela de Sua Causa ascendeu ao zênite,
enquanto escuridão envolveu Seus inimigos e os eclipsou. Seu nome, amado e venerado
por poucos discípulos, é reverenciado agora pelos reis e nações do mundo. Seu
poder é eterno; Sua soberania continuará para sempre, enquanto aqueles que se
Lhe opuseram foram arrasados, seus nomes, ignorados e esquecidos. O pequeno
exército de discípulos transformou-se numa poderosa legião de milhões. As
Hostes Celestiais, a Assembléia Suprema são Suas legiões; a Palavra de Deus é
Sua espada; o poder de Deus, Sua vitória.

Jesus Cristo sabia que isto iria acontecer e estava
contente em sofrer. Sua
humilhação era Sua glorificação; Sua coroa de espinhos, um diadema celestial.
Quando eles a forçaram na Sua abençoada cabeça e golpearam Sua formosa face,
estabeleceram as fundações de Seu Reino imorredouro. Ele continua soberano,
enquanto eles e seus nomes se perderam e foram ignorados. Ele é eterno e
glorioso; eles são um simples nada. Eles queriam destruí-Lo, mas destruíram a
si próprios e, com os ventos de sua oposição, aumentaram a intensidade de Sua
chama.

Por intermédio de Sua morte e de Seus ensinamentos, nós
entramos em Seu Reino.
Seu ensinamento essencial foi a unidade da humanidade e o
cumprimento das supremas virtudes humanas através do amor. Ele veio para
estabelecer o Reino de paz e de vida eterna. Podeis encontrar em Suas palavras
qualquer justificativa para discórdia e inimizade? O propósito de Sua vida e a
glória de Sua morte foram libertar a humanidade dos pecados da contenda, guerra
e carnificina. As grandes nações do mundo se orgulham de que suas leis e sua
civilização se baseiam na religião de Cristo. Por que então travam guerra umas
contra as outras? O Reino de Cristo não pode ser mantido se for destruído e
desobedecido. As bandeiras de Seus exércitos não podem conduzir as forças de
Satã. Considerai o triste retrato da Itália travando guerra em Trípoli. Se a Itália
fosse proclamada uma nação bárbara e não-cristã isto seria negado com
veemência. Mas será que Cristo aprovaria o que eles estão fazendo em Trípoli?
Esta destruição de vidas humanas é obediência às Suas leis e ensinamentos? Onde
Ele ordena tal coisa? Onde ele consente tal coisa? Ele foi morto pelos Seus
inimigos; Ele não matou. Ele até amou e orou por aqueles que O crucificaram.
Por isso, essas guerras e crueldades, este derramamento de sangue e pesar são o
Anticristo e não Cristo. Estas são as forças da morte e de Satã, não das hostes
da celestial Assembléia Suprema.

Um conflito não menos amargo é o que existe entre seitas e
denominações. Cristo era o divino Centro de unidade e amor. Sempre que
prevalecer discórdia sobre a unidade, sempre que ódio e antagonismo tomam o
lugar de amor e camaradagem espiritual, aí reina o Anticristo em vez de Cristo.
Quem está com a razão nessas controvérsias e antagonismos entre as seitas?
Cristo ordenou que amassem ou que odiassem uns aos outros? Ele amou até mesmo
Seus inimigos e, na hora da crucificação, orou por aqueles que O mataram.
Portanto, ser cristão não é meramente levar o nome de Cristo e dizer: "Eu
pertenço a um governo cristão." Ser um cristão verdadeiro é ser um servo
de Sua Causa e de Seu Reino, caminhar sob Sua bandeira de paz e amor a toda a
humanidade, ser abnegado e obediente, vivificar-se pelos sopros do Espírito
Santo, ser espelhos que reflitam o esplendor da divindade de Cristo, ser
árvores frutíferas em Seu jardim, refrescar o mundo com a água da vida de Seus
ensinamentos – ser como Ele em todas as coisas e pleno do espírito de Seu amor.

Louvores a Deus! A luz da unidade e amor está brilhando
nestas faces. Estas suscetibilidades espirituais são os verdadeiros frutos
celestiais. O Báb e Bahá’u’lláh, há mais de sessenta anos, proclamaram as
boas-novas da paz universal. O Báb foi martirizado na Causa de Deus.
Bahá’u’lláh sofreu quarenta anos como prisioneiro e exilado para que o Reino de
amor pudesse ser estabelecido no Oriente e no Ocidente. Ele tornou possível que
nós nos encontrássemos aqui em amor e unidade. Ele sofreu aprisionamento para
que nós fôssemos livres para proclamar a unicidade do mundo humano pela qual
Ele sofreu por tanto tempo e tão fielmente. Ele foi acorrentado em masmorras,
Ele ficou sem alimento, Seus companheiros eram ladrões e criminosos, Ele foi
submetido a todo tipo de brutalidade e aflição, mas no decorrer de tudo isso
nunca parou de proclamar a realidade da Palavra de Deus e a unicidade da
humanidade. Foi pelo poder de Sua Palavra que nós nos reunimos aqui – vós da
América e eu da Pérsia – todos em espírito de amor e unidade. Isto era possível
nos séculos anteriores? Se isto se tornou possível após cinqüenta anos de
sacrifício e ensino, o que nós devemos esperar nos maravilhosos séculos por
vir?”

Praticamente um século já se passou desde que essas
palavras foram proferidas, muitos avanços foram registrados no caminho da
construção de uma paz duradoura. Porém, há muito a ser feito. E, qual vai ser a
resposta que vamos dar a esse chamado. Que mundo vamos deixar para as gerações
futuras?





Diógenes Marcondes

www.diomarcon.spaces.live.com
http://www.bahai.org.br/amor/

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