O Mundo Encolheu. E agora?


 

 

O MUNDO ENCOLHEU. E AGORA?

 Diógenes Marcondes

 

Vivenciamos na atualidade uma crise de âmbito mundial provocada pelo encontro de culturas diferentes. Esse encontro só ocorreu porque nos últimos 160 anos experimentamos uma evolução tecnológica que promoveu uma espantosa revolução nos meios de transportes e comunicação nunca antes experimentada pela humanidade, tornando o nosso planeta uma verdadeira “aldeia”. Por exemplo, desde o ano 15 d.C. até 1840 a velocidade média atingida por um meio de transporte (diligências ou barcos à vela) era de 15 quilômetros por hora. A velocidade hoje é 3 mil vezes maior, com os aviões supersônicos. Nas comunicações, até a metade do século 19, a imprensa de Gutemberg era o que havia de mais moderno. Na atualidade, a rede mundial de computadores, os satélites, nos permitem ficar a par de tudo o que acontece no mundo, em tempo real.

O “encolhimento” das distâncias promoveu o grande “encontro das diferenças” e isso nos pegou de surpresa; embora tivesse sido previsto por Profetas, poetas, visionários, pensadores e historiadores. Mas, preparados ou não o momento chegou. E agora? Como viver nesse ‘caldeirão’ onde se mistura as diferenças que antes se mantinham isoladas?

Karl Marx constatou “… a grande indústria universalizou a concorrência…, estabeleceu os meios de comunicação e o mercado mundial moderno, submeteu a si o comércio, transformou todo o capital em capital industrial e criou assim a rápida circulação e a concentração dos capitais… Foi ela que pela primeira vez, criou a história universal, na medida em que tornou dependentes de todo o mundo todas as nações civilizadas e todos os indivíduos nelas existentes…”.

E o historiador G. Barraclough diz que: “Se a mudança para sempre da estrutura social da sociedade industrial foi sua primeira conseqüência, a segunda foi a realização, com fantástica velocidade, da integração mundial.

O pensador Shoghi Effendi  em 1933 nos chama a atenção para o fato de que “o processo de formação de nações já chegou ao fim. A anarquia inerente à soberania estatal aproxima-se de um clímax”. Já o Sociólogo Manuel Castells em 1996 admite: “A capacidade instrumental do Estado-Nação está comprometida de forma decisiva pela globalização da mídia e da comunicação eletrônica e pela globalização do crime”.

Conflito, ódio, exploração, miséria, crime, guerra é o que vemos como resultado imediato desse encontro para o qual fomos alertados, mas não nos preparamos. E o pior é que os lideres das grandes e pequenas nações do mundo ainda não perceberam que essa é a oportunidade única que a história lhes oferece de construírem a Paz Mundial e tornarem a Terra “um só País”.

Por enquanto, alguns têm escolhido aproveitar os avanços tecnológicos para impor uma hegemonia e construir seu império pelo poder econômico e militar. Outros procuram dividir a terra em coligação de nações para travarem suas guerras e dominarem os mais fracos, espoliando-os de seus recursos.

O historiador Arnold Toynbee, em 1948, prevendo o caos apontou alguns caminhos para podermos nos livrar da destruição: “Em política, estabelecer um sistema constitucional coorporativo de governo mundial. Em economia, encontrar um modus vivendi entre a livre empresa e o socialismo…; na vida do espírito, restabelecer a superestrutura secular sobre fundações religiosas…”.  E Toynbee num exercício de visão do futuro anunciava que nessa nova etapa da história do mundo a sociedade não será nem ocidental nem não ocidental e acrescenta, “ela herdará de todas as culturas que nós, os ocidentais, temos agora misturadas num só cadinho. Nossos descendentes não serão genuinamente ocidentais como nós o somos. Eles serão herdeiros de Confúcio e de Lao-Tsé tanto quanto de Sócrates, Platão e Plotino; herdeiros de Gautama Buda tanto quanto de Elias e de Eliseu, de Pedro e de Paulo, herdeiros de Zoroastro e de Maomé tanto quanto de Clemente e Orígenes…”.

Antes de Toynbee, Shoghi Effendi descreve muito bem em seu livro “Chamado às Nações” (1933) o caminho que ele acredita ser a salvação para nós que vivemos nesta conflituosa  era: “… a unificação da humanidade inteira é o distintivo  da etapa da qual a sociedade humana atualmente se aproxima… A unidade do gênero humano compreende o estabelecimento de uma comunidade mundial em que todas as nações, raças, crenças e classes estejam estreita e permanentemente unidas, e em que a autonomia dos estados que a compõem e a liberdade de iniciativa pessoal dos seus membros individuais sejam garantidas de um modo definitivo e completo. Tal comunidade mundial, deve abranger, segundo nosso conceito, uma legislatura mundial, cujos membros, os representantes de todo o gênero humano, virão a controlar todos os recursos das respectivas nações componentes e criar as leis que forem necessárias para regular a vida, satisfazer as necessidades e ajustar as relações de todas as raças e povos entre si. Um executivo mundial, apoiado por uma força internacional, executará as decisões dessa legislatura mundial, aplicará as leis por ela criadas, e protegerá a unidade orgânica da inteira comunidade mundial. Um tribunal mundial deverá adjudicar toda e qualquer disputa que surja entre os vários elementos que constituem esse sistema universal, sendo irrevogável a sua decisão… Um idioma mundial será criado ou escolhido dentre a línguas existentes e ensinado em todas as escolas de todas as nações federadas como auxiliar a língua nativa. Uma escrita mundial, uma literatura mundial, um sistema uniforme de moeda, de pesos e medidas simplificarão e facilitarão o intercâmbio e  entendimento entre nações e raças da humanidade”.

Penso que por mais assustadores que nos pareçam esses tumultos, estamos exatamente de frente com as oportunidades de escrevermos um futuro glorioso para a humanidade, buscando os ideais da Paz Mundial e da Unidade do Gênero Humano. Cabe a cada individuo, a cada instituição e a cada comunidade a formidável tarefa de participar efetivamente da construção de uma cultura de paz no planeta.

 

 

 

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